Movie Script Ending

16 07 2008

Andam de mãos dadas em silêncio porque sabem que nada que falassem conseguiria fazê-los pensar em outra coisa. Preferem, então, apenas curtir o fim de tarde daquele domingo. No parque, crianças brincam, ambulantes oferecem quinquilharias, carros apressados buzinam. Nada parece importuná-los, somente aquele pensamento de que iam se separar em poucas horas. De vez em quando um deles vira e beija o ar, mas nenhuma palavra sai. Andam, andam e andam.

Ele, mais incomodado com o silêncio, sugere o jantar. Ele sente uma vontade enorme de comer frutos do mar. Ela não é fã, prefere carnes. Ele ignora seu desejo pra satisfazê-la. Andam mais um pouco até o restaurante e não conseguem dizer nada no caminho, só trocam carícias. Aquele assunto é proibido. Quando ela ensaia uma expressão de tristeza, ele a anima e a faz esquecer do que está pensando. Pelo menos por enquanto.

Na mesa conversam frivolidades. Últimas notícias, futebol. Fazem piadas, essas que só eles entendem. O tempo passa. Ela olha o relógio, disfarça a preocupação com um sorriso amarelo. Ele pede a conta. Entram no táxi, silêncio novamente. Ela olha pela janela e grava cada pedaço do caminho, não quer deixar nada pra trás. O lugar que os dois tanto evitaram parece estar chegando. Ela aperta a mão dele com força e pensa: “essa parte eu não quero gravar”.

Depois do check-in, a despedida. Dessa vez as palavras saem com uma rapidez impressionante. Tudo que eles queriam ter dito mais cedo e não conseguiram agora sai com grande facilidade. Lágrimas, abraços, beijos. Anunciam o vôo. Ela pega sua bolsa e hesita ir por um segundo. “Por que a vida real não pode ser como nos filmes que os protagonistas sempre decidem ficar em cima da hora?”, ela pensa. Ele lamenta, dá um último beijo e a vê se afastando. Ela olha pra trás e ele ainda está lá. Ela anda mais um pouco e o perde de vista. Na poltrona do avião ela pensa sobre filmes de novo. “Eles sempre descem do avião, sempre”. A vida real é tão chata. Ela liga pra ele antes que peçam para desligarem os celulares e fala um último eu te amo. Agora é hora de engolir o choro. Ela não contou pra ele, mas assim que chegou em casa sentiu uma vontade enorme de comer frutos do mar.

Por Yasmin Medeiros

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“Se você puder fazer algo agora, deixe pra amanhã”

4 06 2008

Procrastinar tem sido, ao longo dos anos, um verbo recorrente na minha vida. Ora, se eu posso fazer alguma coisa mais tarde, pra que vou fazer agora? Eu posso ler meus feeds, checar mil redes sociais, ouvir música, trocar o meu telefone de lugar, assistir da janela do meu apartamento um jogo de queimada do colégio da frente, enfim. Só não preciso terminar um trabalho que pode ser feito amanhã, certo? Mesmo sabendo que nem sempre dá tempo, eu acabo deixando pra última hora só pra ficar no sufoco. Acho que eu gosto da adrenalina, da sensação de me sentir o máximo quando consigo terminar tudo em pouquíssimo tempo.

Se os procrastinadores pudessem aumentar o dia, eles fariam isso (e mesmo assim não conseguiriam administrar seu tempo). E quando o prazo fica curto demais, o jeito é torcer pra que ele seja dilatado e tentar se virar de todas as formas pra cumprir alguma coisa.

Meu eu procrastinador parece não ter pena do meu eu do futuro e deixa milhões de tarefas que deviam ser feitas pra ontem. Como o Helito disse, não adianta Remember The Milk, post-it no monitor, despertador do celular, fitinha no dedo…eu lembro, mas opto por esquecer por algum tempo. Essa mania já me rendeu vááários problemas, mas também me proporcionou excelentes escapadas. Hoje, por exemplo, foi assim. E pra comemorar mais uma tarefa feita em cima da hora, dedico esse post a todos os procrastinadores desse meu Brasil brasileiro. O vídeo abaixo é uma homenagem a todos que precisam fazer, mas deixam pra depois. Tim-tim!

Por Yasmin Medeiros





Por um dia 20 do meu jeito

20 05 2008

Eu sou do tipo de pessoa que gosta de aniversários. Não fico triste no dia, não torço pro tempo parar, não reclamo por estar mais velha e adoro os telefonemas, scraps, e-mails, enfim. Algo muito surpreendente, já que meus aniversários nunca são como eu queria que fossem. Nunca tive muitas festas quando criança e, quando tinha, sempre faltava alguém especial. Não posso esquecer de todas as vezes que fiquei doente – gripe, febre, alergia, entre outros – motivo suficiente para a comemoração ser transferida para um próximo dia.

Esse ano não poderia ser diferente. Não estou doente, mas sinto falta de pessoas que gosto muito e que estão espalhadas mundo afora e até mesmo no Brasil, mais precisamente no sul. Meia-noite um menino muito bonito chamado Helio chamou minha atenção no MSN pra algo que eu mesma tinha esquecido: meu aniversário! O dia 20 começou. Não do jeito que deveria ser, mas é um dia especial. Quem sabe ano que vem eu não consigo reunir todo mundo numa festa absurda em Ibiza?

Por Yasmin Medeiros





Top secret

19 05 2008

Quando perguntavam sobre o seu trabalho, seus planos para o futuro, dava a mesma resposta: tô trabalhando em uns projetos. E assim, o curioso ia embora e Adolfo mantinha seu ar de superioridade. Projetos. Que bonito.

É claro que haviam aqueles que iam mais fundo. “Mas que tipo de projetos?”. Adolfo nem tremia. A resposta já estava na ponta da língua. “Não posso falar agora, mas logo logo você vai saber.”

Sua mãe não fazia por menos. Comentava a todas as amigas do Centro de Terceira Idade o quão importante era seu filho. O Adolfinho tá trabalhando em uns projetos. Parece ser coisa grande, dizia toda orgulhosa.

À boca pequena comentava-se que Adolfo tava mexendo com tráfico, tóxico, essas coisas. Mas ele nem ligava, queria mesmo era continuar dizendo que tava envolvido em projetos, mesmo sabendo que eles nem existiam.

O problema começou mesmo quando ele recebeu aquela carta. Era um carta sem remetente pedindo o comparecimento de Adolfo a uma “lugar de alto sigilo”. Ele hesitou por um momento, mas como não tinha nada pra fazer naquela tarde abafada de outono, decidiu ver o que era.

Chegando no endereço combinado – Rua dos Medeiros, 791 – encontrou apenas um senhor de chapéu sentado em uma caixa de maçãs. Antes mesmo de se apresentar, se levantou e foi logo dizendo:

– Eu sei de tudo.

– Como assim? Quem é você? Tudo o quê?, Adolfo queria saber.

– Tudo, oras. O seus projeto.

– Projeto? Que projeto? Não tenho projeto nenhum!

Adolfo então ficou preocupado. Ninguém nunca soube do que se tratava seus projetos. Depois de um tempo, completou:

– Ok. E quanto você quer para ficar calado? – perguntou Adolfo.

– Aaah, chegamos aonde eu queria – disse o homem misterioso. Não quero dinheiro. Eu quero exclusividade no seu projeto. Todos os detalhes, relatórios, planilhas… tudo.

– Certo… e o que eu ganho com isso?

– Como adiantamento, tome esse cheque. 15 mil dá, né?

– Dá.. dá.. sim, disse Adolfo gaguejando.

– Ok, agora sigilo sobre o seu projeto, hein! Você não pode contar pra ninguém, viu? Ninguém!

– Tudo bem.

– Manteremos contato. Não suma.

Aquela palavra, manteremos, não soou muito boa, mas mesmo assim Adolfo pegou o cheque.

Adolfo, então, foi embora com aquele cheque no bolso, feliz por ter feito o negócio. Mas uma coisa ele não conseguia entender: como aquele cara ficou sabendo?


Por Helio Marques





Cachecol. Esse mal necessário.

14 05 2008

Em seu afável blog, nosso caro amigo Doda, faz uma afirmação que há aproximadamente 10 meses atrás eu concordava totalmente:

E os homossexuais indies adoram enrolar um cachecol no pescoço e andar só de camiseta. Que frio estranho. Sendo bem machista: pano no pescoço é gay pra cacete. ´´

Sim, tenho que concordar, eu também achava realmente muito gay. Olhava para os homens (?) usando aquele acessório e pensava “Hum, esse aí dá ré no quibe”. (resposta pronta mode on) Nada contra os homossexuais. Muito pelo contrário, tenho muitos amigos que são gays. (resposta pronta mode off). Enfim, aquilo era algo que muito me incomodava. Por que diabos usar a porra de um tecido no pescoço? Luva então… precisa ser tão exagerado? Estamos na Sibéria por um acaso?

Até que o tempo me fez mudar de idéia. É, o tempo mesmo. Ele esfriou. Os centígrados foram caindo para 18, 10, 5, 3… até que um dia tive que me render e pegar um emprestado para testar. “Er… é quentinho, né? Será que posso usar só hoje?” PQP! O que tava acontecendo comigo? Como eu podia me render assim? Não, não, mil vezes não! Ok, não fiz tanto drama assim, mas aderir àquele grotesco acessório mexeu comigo. Não só comigo, mas com a minha masculinidade. Óbvio que sou convicto do meu lado (único) homem, mas aquilo parecia tão… tão… argh! Daqui a pouco só falta eu me matricular no francês e acompanhar campeonatos de ginástica olímpica, pensava eu.

Hoje, depois de longos meses do ocorrido, tenho que admitir: eu tenho um cachecol. Mas que fique bem claro: só uso quando extremamente necessário! E, pra falar a verdade, morro de vergonha cada vez que isso acontece, parece que tá todo mundo me olhando. Só pode ser despeito! Afinal, ele é tão bonitinho e me esquenta tão bem! E ainda combina com todas as minhas roupas.


Por Helio Marques





Arriba!

2 05 2008

Nem bebo, mas quando vi as embalagens da Tequila Hijos de Villa me deu a maior vontade de comprar (só pra colecionar mesmo). Os formatos são bem legais e representam momentos da revolução mexicana. Rifle, pistola e a bala, respectivamente com 750ml, 200ml e 750ml. As embalagens são feitas artesanalmente e a empresa já até ganhou um Worldstar Award. Tudo muito legal, tirando o preço: em média 130 dólares.

Por Yasmin Medeiros





Sextape.exe

29 04 2008

Toda celebridade que se preze precisa ter uma sextape. É tipo autopromoção, sabe? Pamela Anderson já teve uma, Paris Hilton não fez diferente, Britney Spears tem tanta foto sem calcinha que até dá pra fazer um curta. Até o Gene Simmons, que pra mim tava morto, mostrou que ainda é capaz de gerar uma polêmica ao fornicar uma loira, que por sinal nem parecia estar gostando da “experiência”.

Só que temos que admitir: essa indústria está ficando um pouco saturada, concordam? É tanta gente pagando peitinho, esquecendo a calcinha em casa (Hermione que o diga) que tudo acaba ficando muito chato. Então vamos variar e resgatar sextapes de gente morta?

Começou com a Marilyn Monroe, ícone sexy dos anos 50. O vídeo foi vendido pela bagatela de 1,5 milhões de dólares pra um empresário nova-iorquino! E deveria terminar continua com Jimi Hendrix. A produtora Vivid quer ganhar uma graninha em cima de um threesome que o guitarrista fez com duas morenas, através do lançamento de um DVD. Pra dizer que não é só isso, serão 45 minutos com uma retrospectiva da carreira de Hendrix, além de uma entrevista com duas mulheres que conheceram “muito bem” o músico. A pergunta que não quer calar: quem vai estar disposto a pagar US$ 39,95 por 11 minutos (sem áudio) de sexo, bandana e rock’n’roll? Bem, o jeito é esperar pela sextape do Heath Ledger.

Próximo, por favor!

Por Yasmin Medeiros